quarta-feira, abril 30, 2008

"Hoje quem escreve é MEC..."

Andava eu arrumar umas papeladas, não sei como mas o papel cresce... multiplica-se, transforma-se em gerações no meu quarto ... quando eu descobri um velho caderno de apontamentos da faculdade, e questionei porquê que ainda estava vivo na minha gaveta. E percebi o porquê, nas duas solitárias folhas estava escrito um perfeito elogio ao amor... coisas de jovens agunstiados com o amor ... devo ter decidido na altura escrever umas coisas no meu bloco de apontamentos (Coisa de gaja?? Nop... apenas gosto de escrever). Ainda hoje o faço ... Algumas coisas não vêem para o Blog, outras vêem.

Gostava de partilhar esse pequeno excerto... espero que se dêem ao trabalho e que o leiam.

É uma visão sobre o amor, que eu partilho, e como é tão bela, e acima de tudo tão actual, ora cá vai, hoje quem escreve é Miguel Esteves Cardoso in Elogio ao Amor...
"Há coisas que não são para se perceberem. Esta é uma delas. Tenho uma coisa para dizer e não sei como hei-de dizê-la. Muito do que se segue pode ser, por isso, incompreensível.
A culpa é minha. O que for incompreensível não é mesmo para se perceber.Não é por falta de clareza. Serei muito claro. Eu próprio percebo pouco do que tenho para dizer. Mas tenho de dizê-lo.
O que quero é fazer o elogio do amor puro.
Parece-me que já ninguém se apaixona de verdade. Já ninguém quer viver um amor impossível. Já ninguém aceita amar sem uma razão.
Hoje as pessoas apaixonam-se por uma questão de prática. Porque dá jeito. Porque são colegas e estão ali mesmo ao lado. Porque se dão bem e não se chateiam muito. Porque faz sentido. Porque é mais barato, por causa da casa. Por causa da cama. Por causa das cuecas e das calças e das contas, da lavandaria.
Hoje em dia as pessoas fazem contratos pré-nupciais, discutem tudo de antemão, fazem planos e à mínima merdinha entram logo em "diálogo".
O amor passou a ser passível de ser combinado. Os amantes tornaram-se sócios. Reúnem-se, discutem problemas, tomam decisões.
O amor transformou-se numa variante psico-sócio-bio-ecológica de camaradagem.
A paixão, que devia ser desmedida, é na medida do possível.O amor tornou-se uma questão prática. O resultado é que as pessoas, em vez de se apaixonarem de verdade, ficam "praticamente" apaixonadas.
Eu quero fazer o elogio do amor puro, do amor cego, do amor estúpido, do amor doente, do único amor verdadeiro que há, estou farto de conversas, farto de compreensões, farto de conveniências de serviço.
Nunca vi namorados tão embrutecidos, tão cobardes e tão comodistas como os de hoje. Incapazes de um gesto largo, de correr um risco, de um rasgo, de ousadia, são uma raça de telefoneiros e capangas de cantina, malta do "tá bem, tudo bem", tomadores de bicas, alcançadores de compromissos, bananóides, borra-botas, matadores do romance, romanticidas.
Já ninguém se apaixona?
Já ninguém aceita a paixão pura, a saudade sem fim, a tristeza, o desequilíbrio, o medo, o custo, o amor, a doença que é como um cancro a comer-nos o coração e que nos canta no peito ao mesmo tempo?
O amor é uma coisa, a vida é outra. O amor não é para ser uma ajudinha. Não é para ser o alívio, o repouso, o intervalo, a pancadinha nas costas, a pausa que refresca, o pronto-socorro da tortuosa estrada da vida, o nosso "dá lá um jeitinho sentimental".
Odeio esta mania contemporânea por sopas e descanso. Odeio os novos casalinhos. Para onde quer que se olhe, já não se vê romance, gritaria,maluquice, facada, abraços, flores. O amor fechou a loja.
Foi trespassada ao pessoal da pantufa e da serenidade.
Amor é amor. É essa beleza. É esse perigo. O nosso amor não é para nos compreender, não é para nos ajudar, não é para nos fazer felizes.
Tanto pode como não pode. Tanto faz. É uma questão de azar. O nosso amor não é para nos amar, para nos levar de repente ao céu, a tempo ainda de apanhar um bocadinho de inferno aberto.
O amor é uma coisa, a vida é outra. A vida às vezes mata o amor. A"vidinha" é uma convivência assassina.
O amor puro não é um meio, não é um fim, não é um princípio, não é um destino. O amor puro é uma condição. Tem tanto a ver com a vida de cada um como o clima.
O amor não se percebe. Não é para perceber. O amor é um estado de quem se sente. O amor é a nossa alma. É a nossa alma a desatar. A desatar a correr atrás do que não sabe, não apanha, não larga, não compreende.
O amor é uma verdade. É por isso que a ilusão é necessária. A ilusão é bonita, não faz mal. Que se invente e minta e sonhe o que quiser.
O amor é uma coisa, a vida é outra. A realidade pode matar, o amor é mais bonito que a vida. A vida que se lixe. Num momento, num olhar, o coração apanha-se para sempre. Ama-se alguém.
Por muito longe, por muito difícil, por muito desesperadamente. O coração guarda o que se nos escapa das mãos. E durante o dia e durante a vida, quando não esta lá quem se ama, não é ela que nos acompanha - é o nosso amor, o amor que se lhe tem.
Não é para perceber. É sinal de amor puro não se perceber, amar e não se ter, querer e não guardar a esperança, doer sem ficar magoado, viver sozinho, triste, mas mais acompanhado de quem vive feliz. Não se pode ceder. Não se pode resistir.
A vida é uma coisa, o amor é outra. A vida dura a Vida inteira, o amor não.
Só um mundo de amor pode durar a vida inteira. E valê-la também."
Miguel Esteves Cardoso (in Expresso)

sábado, abril 19, 2008

Jogos da Lua...

Somos como a Lua: com as suas fases, às vezes ficam escondidas, mas tu nunca perdes o teu brilho encantador… Como toda a gente eu tenho as minhas fases. Umas boas, outras nem por isso.
Nas fases melhores sei amar-te. Fazes-me sentir bem, a teu lado, e fazes-me crer que o verdadeiro amor existe. Fazes de mim uma "rainha" para quem o ser amado é tudo. Não sei se me amarás, mas sinto que me queres amar. Que queres começar de novo, pouco a pouco renascer e com a paixão de sempre me amar loucamente.

Temos a consciência de que uma relação não é um jogo entre dois adversários, mas um jogo entre duas pessoas onde o grande objectivo é o equilíbrio.
O grande objectivo é que ninguém perca, nem que ninguém ganhe.

Com o empate ambos ganhamos e ambos ficamos no pódio. Um pódio que da entrada garantida a um grande amor.
Gosto da tua forma de me acarinhar, mesmo quando a expressão facial que te lanço não seja a mais favorável ao grande carinho em que me banhas.

Foi a teu lado que olhei por várias vezes o céu enorme e estrelado e me senti acompanhada. Foi a teu lado que chorei e ri, foi a teu lado que parti vidros e gritei e depois adormeci sem saber como, serenamente.

Foi a teu lado, ao teu lado, em teu lado que cresci e aprendi também a ser assim, - pirilampo - aquele que pelo escuro se vai iluminando.

quinta-feira, abril 10, 2008

a quem espera algo ... como eu

Nos últimos tempos, a vida tem-me provado que, em fracções de segundo tudo pode mudar, sem sabermos o como e o porquê... às vezes basta um olhar, uma palavra mal colocada numa frase, tanta coisa ... Ganhei e perdi ... afectos... sentimentos... pessoas... objectos que me acompanharam nos momentos mais marcantes ... enfim tanta coisa ...
São as regras do jogo que é a vida. Mas também tenho saboreado o lado mais doce, afinal existem portas no corredor que não estão fechadas!

Estou num estado em que posso dizer ... Relaxo ... estou suspensa no ar... vejo como brilham as estrelas do meu luar. Não deixo fugir a esperança de ser o que ambiciono ... não posso esperar pelos outros ... tenho que partir ... rumo ao infinito...

Espreito para o fundo ... e o que vejo? Um espaço liberto de trevas e de pesar ... Mas relaxo ... respiro fundo ... o Amor está para chegar.

Somos, nesta vida, um horizonte que se limita com a chegada da noite;
e contudo, somos na noite uma sombra que fica...

terça-feira, abril 08, 2008

Não pensar

Desde pequena que aprendi a questionar a realidade, perguntava o porquê e a razão de tudo. A fase dos porquês até hoje é uma constante na minha vida. Não bastava dizer não ou sim, tinha que perceber o porquê.
Esse hábito tenho-o até hoje e lembro-me de um professor na faculdade numa das suas vastas aulas de laboratório, avisar-nos para nós criticar-mos a realidade, questionar aquilo que está diante de nós, para perceber-mos a realidade.

Devemos de questionar a informação que chega até nós, ora se tudo é comunicação, e é impossível não comunicar, convém perceber o que está à nossa frente, porque os conceito variam de pessoa para pessoa e de contexto para contexto. Não disse isto para tornar os seus jovens aprendizes nuns loucos, a
construírem teorias da conspiração. O seu objectivo, era, não comer e ficar calado, e que talvez ao tentar perceber podemos melhorar. Lembro-me dessa aula até hoje. Aquelas 4 horas voaram até hoje.

E aquelas palavras que servem para um plano de comunicação, também se adequam ao dia a dia.
Se já tinha esse hábito, a partir desse dia passei a criticar e a perceber o caminho que levou àquele destino.

Questiono o porquê de um conto de fadas voltar a ser escrito. O porquê do interesse, o meu e o dele, o porquê? Quando pensava que estava tudo resolvido, que sentimento é este.
Pela primeira vez, prefiro não pensar, aliás, luto para não pensar... mas tenho receio de não estar a ver a realidade tal como ela é.
Pensar neste caso, retira algo que é mágico muitas vezes na vida... a espontaneidade.
Se começo a exercer o pensamento, começam a surgir, questões, necessidades de verbos, de adjectivos, e substantivos. Perco o sabor do momento.

Assim, estou num estado de não pensar, o que é uma tarefa árdua, para alguém como eu. Confesso que muitas vezes apresento uns sinais de fraqueza, porque quero perceber ... mas não posso questionar. A minha luta é pela espontaneidade do momento. Porque ao questionar vou levantar velhos e traumáticos assuntos.

Quero acreditar na mudança na evolução do meu ser e do teu ser. Quero chegar e dizer que foi obra da mãe Natureza. Foi magia. Não foi algo racional e matemático, apesar de desejar uma poção mágica, para apagar os medos e receios que vêem do passado.

Quero pensar... que não pensar ... é o o caminho que me conduz até ti.