terça-feira, setembro 20, 2011

Avó ... Tenho saudas tuas

Porque perdi o meu farol, a minha "mãe" Celeste, fiquei perdida e continuo meio perdida, aos poucos tento perceber o legado que deixaste.

Hoje já começo a lidar melhor com a saudade! Já não a vejo como uma dor mas sim como um estado de alma! No início de Junho escrevi isto no parque de estacionamento da praia onde tantas vezes fui feliz num final de tarde com um Sol tímido, eis o que ia na alma!

"O mundo corre, as memórias ficam, a saudade permanece. Num pequeno espaço de tempo aprendi que tenho que dizer adeus, até sempre! Ficam as memórias as saudades os sorrisos os carinhos, as experiências as lições de vida, o orgulho de me veres, a paixão que ofereces-te sem te pedir nada em troca! O sangue, a ética, o respeito, aquilo que sou hoje!
Tenho saudades de ouvir a tua voz, de ouvi dizer-te que vai correr tudo bem. A que esperança eu agora vou agarrar? A que sentimento de farol vou perseguir?
Ficam os momentos bonitos, ficam os sorrisos na memória. Fica a capacidade de te recordar, fica o teu cheiro. E a saudade, onde é que fica? O que faço a isso, àquela dor que permanece. O quê que faço à necessidade de falar e não conseguir ouvir as tuas palavras, de não perceber o que dizes.
Pareço um bicho ferido, quieto à espera que a tempestade passe, que a ferida cure. Mas com tempo abre ainda mais. A saudade magoa, a ferida, as palavras "nunca mais" matam e afastam qualquer recuperação.
Não existem mundos perfeitos, não existe felicidade plena.
Adorava ser tudo, menos aquilo que sou neste momento. Adorava ser uma gota de água naquele mar, lá em baixo. Adorava ter a máquina do tempo e poder ficar estática naqueles momentos felizes.  Ficar, Manter, Paralisar, são adjectivos que para mim não existiam, hoje são verbos, estados de alma.
Fiquei perdida no tempo. Na saudade no medo do presente, do pânico do futuro, prefiro ficar estática, sem saber o que fazer, sem ter que sentir. Porque sentir é viver, e viver assim... dói... e não sei viver assim. Na ausência, no adeus, no para sempre.
Fiquei estática, fui caminhando ao longo destas semanas até poder. Agora o coração já não consegue suportar mais a dor. É tal a perca o adeus. Resta o fingir que está tudo bem, e saber viver com isso. Faltam-me as forças Falta-me a motivação. Estou perdida. Sem saber como andar, como viver. Tudo o que tenho é o agora? Qual é o próximo passo? Darei se tiver forças. Mas cada dia que passa fico mais presa… e mais presa.
As escolhas que fiz, aquilo que aprendi. parece tudo tão distante tão vago. A verdade é esta, falta-me a esperança, o objectivo. Tudo foi destruído ou recalculado. A morte levou tudo, perdi-me na morte, tentei combater a ausência que a morte deixou. Com o ignorar... com o depois trato. Mas a morte está cá. A ausência permanece, e a dor também. E eu não faço ideia do quê que vou fazer, quero ficar estática, Imóvel à espera que o tempo me faça esquecer. Até lá, tenho saudades tuas.
Saudades daquilo que podia ter sido vivido e saudades daquilo que vivemos. Nada está nas minhas mãos. Perdi o controle e tento  perceber o porquê e o agora. E isso assusta-me e magoa-me mais. O perceber a perca! Sempre soube o que fazer, mal ou bem sempre tive o meu projecto. Perdi a noção do que me espera, perdi a lógica, tudo o que eu desejava partiu. O sonho cada vez mais distante para não dizer impossível.
Não estou em paz, perdi-me e não consigo encontrar-me. A morte modifica as pessoas. Estou cansada de perder, de equacionar de projectar e não sair nada. A esperança foi-se abandonou-me, a morte também a levou. São golpes a mais, percas a mais.
Preciso de uma rota, de uma luz ao fundo do túnel. Hoje percebo a revolta das pessoas, a falta de rumo, de energia em fazer algo! Existe sempre uma força que impede, a força do até sempre!
Mas peço, que a vida não apague da minha memória do que aprendi contigo, é ai que vou recuperar a força, aos teus ensinamentos, e ainda consigo ouvir lá longe a tua voz a dizer "Força, não desistas, que vai correr tudo bem".