Honestidade
sinceridade perseverança e humildade... Magníficos substantivos!
Qualidades
que adoramos que os seres humanos tenham para com eles e essencialmente para
com os outros. Infelizmente estão ausentes no dia a dia na sociedade em que
vivo. Tentamos muitas vezes ser honestos com as nossas opiniões com os nossos
pensamentos e não fazemos com medo das atitudes dos outros, com aquela
milagrosa mentira de não fazemos para não magoar os outros. Ora ai está uma
linha muito ténue entre o enganar o outro e a nós próprios. Pior vivemos assim
e nem sequer nos preocupamos em perceber porquê e corrigir o que está mal.
A
verdade a quem de direito cai por terra, todos os dias. Questiono-me o que
fazer com aquela vontade de dizer realmente aquilo que pensamos. De assumir que
estamos magoados com determinadas situações atitudes. Fazemos o quê? O caminho
mais fácil, o de ignorar o de ser cínico ou então de fazer uma greve geral em
relação a qualquer coisa. Sim é fácil dizer mas é muito mais difícil assumir
uma posição, ter uma atitude a começar por nós mesmos.
Quem nunca magoou ou
nunca foi magoado que atire a primeira pedra. Quem nunca percebeu que magoou
alguém e depois teve o seu rebate de consciência e remeteu-se ao silêncio por falta de coragem? Fácil, todos nós! As
oportunidades criam-se para resolvermos e estas pequenas coisas que fazem mal à nossa alma.
Ao
termos esta linha de comportamento perdemos mais do que ganhámos. Caímos na
ilusão que assim não ganhamos mais chatices. Erro, perdemos pessoas e tudo o
que elas têm de bom. Desde de pequena que a minha mão me dizia se dói vai ao
médico. Ora se dói queixa diz fala expressa-te! É um direito e um dever. Sábio
não é aquele que contorna as questões mas sim aquele que as resolve. Posso não
acabar com a fome e a doença no mundo mas posso acabar com aquilo que ao meu
alcance me incomoda.
Quantas
vezes eu não bati no fundo do poço e não desesperei por não perceber o porquê,
e não descansei enquanto não percebi. Coloquei a capa da coragem e fui pronta
para levar uma tareia descomunal, ouvi o que não queria, palavras que magoaram
e ainda hoje fazem eco na minha memória, mas pelo menos percebi, e
consegui pedir desculpa pelo erro que tinha feito. À primeira vista não
recuperei o que tinha perdido, mas pelo menos fiquei a perceber o porquê e
passei a respeitar ainda mais as atitudes e fiquei com a consciência tranquila.
Eis aquilo que ganhei, consciência tranquila, algo que muita menina e menino
não sabem o que é!
Não
tenho problema algum em pedir desculpa, mas nos dias de hoje parece ser um acto
de terrível de fraqueza. Preferimos partilhar opiniões estados de alma com
todos, menos com aqueles que são tema causa e principais interessados. Claro
que este exercício de higienista da alma é difícil e custoso, e corremos o
risco de sermos rotulados de loucos bipolares entre tantas coisas.
Enfim
incongruências de uma sociedade cheia de canais de comunicação e que fala menos com ela própria.
Qual
foi a ultima vez que pediu desculpa a alguém? Qual foi a ultima vez que
telefonou e disse preciso de falar contigo?